segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Início de semana

Hoje acordei com dois tímidos raios de sol a entrarem-me pela janela do quarto.
No meio da escuridão característica do inverno, dois focos de luz rompiam pelas persianas da minha janela, atravessavam o azul dos cortinados e iluminavam a minha almofada. O céu estava cheio de nuvens, a estrada estava molhada, os vidros do carro embaciados, mas estes dois raios de sol mantiveram-se ali até eu acabar de me vestir.
Quando saí de casa e entrei no carro, vi um sol escondido atrás de uma nuvem preta mas pouco carregada, daquelas meio rarefeitas, que andam lá no alto a ameaçar chuva mas pouco saturadas para encobrir totalmente o sol. E por isso lá estava ele a dizer-me olá, a relembrar-me que amanhã é feriado por isso vou apanhar menos trânsito na estrada e mesmo que chegue atrasada ao escritório, a maior parte deve ter feito ponte, a Priscila ainda não voltou da República Dominicana por isso não vai haver reunião, logo vou ter o dia todo para pôr em dia o trabalho que não fiz na semana passada quando estive doente.
O sol hoje deu-me um beijo de bom dia e deixou-me feliz. Até me fez vestir um vestido e tudo. Para ser um dia em grande, só mesmo se logo à noite fosse beber um copo, rir e dançar um bocadinho.
Porque hoje é segunda-feira, mas amanhã é feriado. E o sol entrou-me hoje pela janela do quarto.

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Algum dia tinha de ser

"And if we were walking
Down a dead end street
Would you be the one to let our eyes meet
Or would you just keep on walking
Down to the turn around
'cause you know I'd be proud

If you call my name out loud
Do you suppose that I would come running
Do you suppose I'd come at all
I suppose I would"

Dispatch - Out Loud

Mas já aprendi que não faz mal.

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Há dias inúteis

Ando a dizer, desde que comecei a trabalhar, que preciso de férias.
Que tenho saudades dos tempos de Faculdade quando às vezes, (juro que era só às vezes mãe!), ficava na cama ou no bar durante a hora daquela (ou daquelas) Teóricas, tão interessantes, que era melhor nem ir para o Professor não se distrair no raciocínio com a minha sede de aprendizagem, tal seria o número de perguntas que eu iria fazer.
Contudo, o plano que eu tinha em mente para não ir trabalhar hoje, não era ficar de cama, constipada, ranhosa, a lacrimejar, rodeada de papel higiénico para me assoar, com os Metallica a fazerem um test sound dentro do meu cérebro.
Something went very, very wrong with my plan.

Gosto das sextas feiras (mesmo quando não tenho tempo)

Todos os que me conhecem sabem, que o meu dia negro é a segunda-feira.
O início da semana provoca-me comichão, mexe com o meu sistema nervoso, tudo me irrita. As pessoas vêm do fim de semana com energia a mais, com muita coisa para dizer, muito stress porque oh-meu-Deus-já-só-faltam-5-dias-para-a-semana-acabar-e-ainda-não-se-fez-as-trinta-mil-coisas-que-eram-para-ter-ficado-feitas-na-semana-passada. Parece que tudo anda a correr, que toda a gente teve epifanias no domingo sobre coisas urgentes que não podem passar de segunda-feira.
Eu venho do fim-de-semana feliz, relaxada, ensonada, a querer começar a trabalhar devagar, a querer começar a minha semana em paz. Nunca acontece, por isso segunda-feira é dia não no mundo da Sofia.
Contudo, as sextas feiras são o melhor que há.
Acordo bem disposta, as horas passam rápido, apetece ir sair, estar com os amigos, porque nos próximos dois dias, os saltos altos vão ficar nas caixas, as calças de ganga vão sair do armário, não é preciso meter rimel para ir à rua.
Há tempo para respirar, para sorrir, pra fazer parvoíces.
Por isso, normalmente, sexta-feira à noite é comum esta menina não parar em casa (ou pelo menos é o que dizem os meus pais).
Na sexta feira passada não foi excepção e arranjei logo um plano para ajudar a passar o dia: boa música com o Tó no Chiado, dois dedos de conversa com a Mesquita no Hostel, jantarada de comemoração dos 19 valores na tese da Loira e copos a acompanhar. A isto eu chamo um programa perfeito.
Claro que nem sempre tudo corre de feição.
Cheguei ao chiado e a música já tinha acabado, a conversa foi curta, cheguei atrasada ao jantar.
O tempo é uma coisa estúpida. Mas o que importa no fim de contas, é a maneira como se dá a volta ao tempo que se tem.
Por isso, do alto da minha boa disposição de quase fim-de-semana, transformei a música, para a qual não cheguei a tempo, em café e boa conversa, a visita à Mesquita, para a qual não tinha tempo, em três abraços, meia dúzia de novidades e uma promessa de lá passar sem horas de sair, o jantar para o qual cheguei atrasada em copos, muitos copos, muita gargalhada, muita conversa dúbia, muito brinde.
Resumindo, sexta-feira passada, foi uma noite de gajas, à antiga, com gajas antigas, companheiras de copos, de festivais de verão, de conversa sem nexo, de gargalhadas parvas, que começou no Palpita-me com muita cerveja; mas por outro lado, nova, porque quando chegámos ao Plateau a apresentação foi, estas são as minhas amigas Psicóloga e Bióloga que já é Mestre.
Estranho. Mas o tempo tem destas coisas. Passa por nós mesmo quando não damos por isso e quando nos apercebemos já estamos de ressaca, a tentar sacudir da cabeça a imagem de ter estado a dançar com a Andreia como se o Quim Barreiros estivesse a tocar em cima do palco.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Para terminar o fim de semana em beleza

Hoje foi dia de ver os Muse no Pavilhão Atlântico.
O bilhete já cá cantava desde Abril.
O PA estava esgotadissimo, não havia lugares livres. E percebeu-se porquê.
Grande concerto. Desde os efeitos de luzes até à setlist.
Amanhã é dia de trabalho e estou podre. Estou rouca de tanto cantar, cansada de tanto saltar, mas tinha de vir partilhar a minha felicidade antes de me ir deitar. Foi uma entrada directa para o meu top de concertos.
A minha máquina fotográfica avariou e o meu telemóvel está de baixa há não sei quantos meses também, por isso desta vez não fiz videos. Mas aconselho a quem tenha curiosidade a procurar no youtube, que já lá andam videos porreiros para dar um cheirinho do que foi. Quem não conhece Muse, faça uma primeira tentativa. É que ver espectáculos destes vale a pena. Quem conhece e não foi ver, roa-se de inveja! Adeus, que me vou deitar feliz.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Sorrisos e paredes cor-de-rosa

Este é o post que eu queria ter escrito no fim-de-semana, mas que não consegui escrever, porque andei quarto dentro quarto fora a fazer mudanças.
Dois anos depois de ter a minha irmã a acampar no meu quarto e uns dias depois de ter ido acampar eu para o quarto dela, tenho finalmente o meu espaço arranjado.
Livre de humidade (isto agora parecia piada tvi)!
Mais, armei-me em doida e decidi pintar uma parede de cor-de-rosa para ver se os meus dias ganham nova cor.
É urgente voltar a entrar em modo Zen, animar o espirito, acalmar as dores da alma e do coração, deixar o negativismo ir com a chuva até ao fundo da rua, para longe.
Na sexta feira tive uma noite como não tinha há muito tempo.
Mais concretamente há quase 5 meses.
O tempo é um conceito que me persegue. Nunca tenho tempo para tudo o que quero, o tempo acaba, já não é tempo de. E nos últimos quase 5 meses tem sido um recurso escasso na minha vida. Porque a minha vida mudou na segunda metade do ano e passei a viver dentro de uma estrada muito estreita. Não havia tempo para mudar de faixa. Entre o final do curso com os últimos exames e o início do estágio, deixei de ter tempo para revisitar pessoas que não andam na mesma estrada que eu, mas que mereciam um desvio.
Na terça um deles fez anos e combinou-se guardar a sexta feira para um festejo só nosso, os quatro amigos de trás, de outras eras, de outros sonhos, de outros dias e noites, de outra vida.
Há tanto tempo que não estavamos juntos e caramba, soube-me tão bem.
O quão eu precisava de estar com eles, de voltar às minhas raízes. Porque foram eles que me viram crescer, que me conhecem melhor que ninguém e que, por isso, se chateiam comigo com mais frequência que todas as outras pessoas. Mas que no meio da confusão, da falta de tempo, das estradas que não se cruzam durante quase 5 meses (ou 5 anos...) me amam e apoiam incondicionalmente. Sem perguntar porquê ou como ou quando. Sem falsos olhares ou falsas modéstias. Com tudo o que se tem a dizer em cima da mesa, os pratos limpos, os pontos nos i's, com opiniões divergentes como toda a gente, mas com a certeza aceite há muito tempo, de que temos as costas uns dos outros seguras, num género de "You jump, I jump, Jack!"
Porque a verdadeira amizade é isso mesmo. É no meio das discussões e das desilusões que cada um provoca no outro, estar sempre assegurada aquilo que é importante, que é o laço que une as pessoas. E nós os quatro somos muito diferentes, damo-nos mal muitas vezes, desiludimo-nos mutuamente constantemente, mas sabemos que vamos ser melhores amigos até sermos velhinhos (e andarmos a meter vodka no saco do soro, como me escreveu a Go na minha fita).
Porque de cada vez que nos juntamos, dizemos tudo sem dizer nada, o mundo são quatro pessoas e cinco minutos transportam-nos até aos dias de escola sem preocupações, sem decepções e responsabilidades.
Iniciei esta semana mais leve, mais optimista, mais feliz.
Porque o que importa é quem nos guarda para sempre, quem nos sorri com a alma e com o coração e que nos faz esquecer que já são 4 da manhã e se trabalhou 10 horas.
E não houve saltos altos que me impedissem de dançar como se tivessemos de novo 17 anos. Porque, para todos os efeitos, quando ouvimos esta música mal entrámos no bar, o Dani e nós os 3, fazíamos 17.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Só porque hoje joga o Benfica



Só hoje voltei a ouvir esta música.
Gostei desta versão porque o João Gil não toca a minha parte preferida daquela maneira.
Fiquemos assim então.
Cada um com a sua maneira, cada dia com a sua memória. Os acordes de hoje são diferentes dos de ontem e ainda bem. Já tenho saudosismos que cheguem.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Forças

Por vezes dou por mim a pensar, o que só por si é um acto fantástico, na quantidade de vezes que uma pessoa pensa que tudo lhe corre mal. Aqueles dias "Caraças, mais alguma coisa, hein?!?", quando as partes são maiores do que o todo. Ir ao médico e descobri que há (mais) alguma coisa errada, o farol do carro que fundiu, a multa da EMEL no belo do párabrisas, a luz que se apagou, aquela prestação que caiu no banco, ou aquele exame que "fica para o próximo semestre".
Hoje tive um dia desses. Ou gritava aos céus pela má sorte, ou reunia forças para lutar. Forças que já não sei de onde vêm, pois o ponteiro já indicava reserva há muitos kilómetros. Mas quando cheguei a casa, olhei em redor (não muito, para não me dar conta da desarrumação, que a malta aqui anda em obras e está tudo de pernas para o ar), sentei-me na cama e pensei. Momento bolha, por uns segundos. Respirar fundo, tipo zen, e entrar naquele sitio da instrospecção, onde só te ouve a ti e nada te afecta. E pensei na familia, ali em baixo, a fazer o jantar, no amor da vida, em casa, na vida dele, nos amigos. Na vida que ainda tenho, e que ninguém me vai roubar. Nem que tenha que lutar.
E aí, abri os olhos, arrumei a tralha, e fui comer qualquer coisa, restabelecida do pânico, de cabeça erguida não sei como, com a esperança de que tudo tem solução.

Normalmente perguntam-me "Porque é que a vida custa tanto e é tão injusta?", e eu respondo "Porque se não fosse, não lhe davamos valor!"

Porque todos temos uma Canção de Madrugar



A minha é esta. Brilhante esta homenagem ao grande Ary dos Santos...

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Quanto tempo são oito minutos?



Acho que há poucas músicas que me toquem tão fundo como esta. A maior parte das vezes, é a letra que nos faz relacionar com a melodia. Neste caso é simplesmente a música. Entra cá dentro e arrepia-me dos pés à cabeça. Nunca vi o filme, nem nunca fui a África, que é onde se passa a trama. Mas para o caso pouco interessa. Tenho história e imagens de sobra para me relacionar e fazer dela banda sonora.
Não sei se me entristece, se me enche de esperança, mas também, sentimentos de difícil definição é o que mais tenho dentro de mim. Demasiadas prateleiras, demasiadas caixas.
Amanhã é dia 14 de Novembro, caso alguém ande perdido no calendário.
Eu pessoalmente, vou para Leiria para ver se me esqueço do meu.
Hoje não é dia para pensar.
Salvo durante oito minutos que é quanto dura a música.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Essencial

Queria escrever sobre tristeza e mágoa, mas estou demasiado triste e magoada para isso.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Fui...

Tocar pó Festival, com a Tuna, hehe.

Adios

Isto não acabaaaar beem...



João Só e os Abandonados

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Não é defeito é feitio

Não sou uma pessoa perfeita. Nunca o desejei ser.


Acho que a graça está nas imperfeições, são os erros que nos tornam humanos e é a capacidade de errar sempre com 50% de garantia que faz com que as decisões acertadas saibam tão bem.


Tenho muitos defeitos, uns mais faceis de lidar que outros, mas tento que não se façam notar. Não para que me vejam como perfeita, mas para tentar não parecer ser demasiado imperfeita.


Acho contudo que, quando esse esforço é frustrado, não é por falta de tentativas minhas.

Acho que tenho bom coração e nunca quis deliberadamente errar. Um dos meus maiores defeitos, aliás, é lidar mal com os meus fracassos, exactamente por me custar muito quando percebo que erro, que magoo, que desiludo quem não queria desiludir, por mais subjectivo que seja o erro, que o é sempre.

Consome-me e deprime-me.


Mas o que me entristece e magoa verdadeiramente é quando transportam os meus defeitos para o plano da regularidade, como se todas as minhas acções estivessem sempre condenadas a estar minadas pelos meus defeitos. É inevitável, está a abrir a boca, vai sair asneira, sem sequer ninguém olhar para a intenção por detrás da acção.


Quem é de Direito sabe que a intenção é tudo. O animus, a vontade. Sem vontade não há dolo, há negligência e tudo muda de figura. As penas são atenuadas, algumas até são excluídas.


Preciso saber quando erro, para me poder melhorar como pessoa. Mas não posso aceitar ser descontextualizada, que me retirem o animus, que achem que falo sem pensar, sem propósitos definidos, sem ideias, sem me preocupar com o que sai e quem atinge. E pior ainda, que achem que me é completamente indiferente aperceber-me que realmente atingi alguém.


Porque nas minhas lutas interiores estou sempre em constante aprendizagem, a tentar ser melhor, independentemente do número de atestados de incompetência que me queiram passar.

Não consigo aprender como andar com a minha vida para a frente, mas em relação a tudo o resto ainda não perdi a esperança.

Ao menos a isto já estou "habituada".

Vou para o Algarve tocar. Bom fim de semana

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

A transbordar

Hoje comprei uns óculos novos
Precisava de substituir os meus, que nas últimas duas semanas pareciam ser propriedade do Harry Potter, tal era a quantidade de fita cola a prende-los literalmente à vida.
Os novos são cor de rosa, para ver se alegra um bocado os meus dias que andam meio cinzentos.
Como me andava a queixar de ver cada vez pior, fui fazer a actualização das dioptrias para comprar também novas lentes e foi então que descobri que, afinal, estou a ver melhor que há cinco anos atrás, data em que comprei os últimos óculos. Andava a ver mal porque os defuntos estavam demasiado graduados para as minhas necessidades actuais.
Achei genial.
Esta foi só mais uma coisa que descobri ter a mais na minha vida.
Ultimamente tem sido temático perceber que ando mais cheia de coisas do que era suposto andar. Demasiada graduação nos óculos velhos, demasiado trabalho, demasiadas saudades, demasidos nós na garganta, demasiado entulho na alma, demasiadas feridas no coração.
A única coisa que parece faltar é o sono e o ar. Tudo o resto tenho demais da conta.
Odeio o mês de Novembro.
Acordem-me quando for dia 30 (ou 29 à noite já que tenho bilhete para os Muse no Pavilhão Atlântico).